Cultura i nô balur

Cultura i nô balur

Implementado pela ONG portuguesa FEC na Guiné-Bissau até 2020, o projecto Cultura I nô balur busca a valorização do sector cultural e das indústrias criativas tradicionais daquele país, através de diferentes acções, entre as quais a formação de artesãos tradicionais em desenho e marketing, a criação de uma “fábrica de ideias” e o desenvolvimento de um curso de pós-graduação em Educação Intercultural.

No que se refere ao trabalho com os artesãos, existe um apoio regular à sua actividade, nos seus locais de trabalho, por parte da ONG.  Foi durante essas visitas de acompanhamento, em diferentes pontos da cidade de Bissau e durante quatro dias de Abril de 2018, que foram registadas as imagens que integram o presente portefólio, com o objectivo de documentar e promover o trabalho daqueles profissionais.

De acordo com o Banco Mundial, a Guiné-Bissau é um dos países mais pobres e frágeis do mundo, que enfrenta grandes desafios económicos e padece de uma grande fragilidade política e institucional. Em 2010, mais de dois terços da população sobrevivia com menos de 1.9 dólares americanos por dia, uma taxa de pobreza bastante elevada para a região e em termos globais. Em 2018, o país aparece em 177º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, num total de 187 países. A maior parte da população vive da agricultura e a economia é fortemente dependente da exportação de caju.

Ser artesão num país assim não é fácil. Não existem instâncias de formação, nem incentivos à produção ou profissionalização. Quem trabalha neste tipo de actividade acaba por aprender o ofício informalmente e operar também de forma bastante espontânea. Neste contexto, é necessária uma grande dedicação para superar todas as dificuldades existentes. É também para facilitar uma maior profissionalização dos artesãos guineenses que a FEC, em articulação com outras ONG e com financiamento da União Europeia e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, está a implementar o projecto Cultura I nô balur.

As imagens que aqui se apresentam são produto da relação criada entre o fotógrafo e os artesãos envolvidos no projecto, num encontro necessariamente fugaz e por vezes surpreendente. O tempo era curto e a vontade de tudo abarcar muita, pelo que a natureza do resultado é a extensão da intensidade da relação criada nesse momento de encontro, relação essa  que logo se desfez assim que o dia acabou. O trabalho aproxima-se umas vezes do retrato encenado, outras vezes do registo documental puro, sem intervenção do fotógrafo.

Gustavo Lopes Pereira (texto e fotografia)

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